Estruturas de
Defesa de
Personalidade
Vídeos Introdutórios
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Podemos considerar as Estruturas de Defesa de Personalidade ou Estruturas de Defesa de Caráter como sendo padrões de comportamento e reações ligados à forma com a qual lidamos com a nossa energia da essência e dos nossos próprios campos áuricos ou ainda dessas mesmas energias vindas de outras pessoas. Também podem ser entendidas como sendo arquétipos, máscaras ou tantos outros termos. Alexander Lowen, que estudou e recebeu tratamentos de Wilhelm Reich (este discípulo de Freud), analisou a relação da bioenergia (distribuição da energia pelo corpo) com os padrões de comportamento, definindo 5 grupos distintos dessas estruturas.
Lowen empregou 5 termos que se consolidaram para diferenciar 5 grupos distintos desses tipos de estrutura. Esses termos podem gerar algumas impressões iniciais um tanto fortes e distorcer a interpretação ou até mesmo a aceitação e assimilação dessas estruturas em análises que viermos a fazer, especialmente em relação a nós próprios. São termos que foram utilizados levando-se em consideração sua aplicação dentro de determinados conceitos das áreas médicas, psiquiátricas e comportamentais, levando facilmente à confusão dentro de um contexto mais leigo ou popular. Como os nomes são referências, apresento abaixo os nomes indicados por Lowen e possíveis outros termos que poderiam ser utilizados para definir as mesmas estruturas, lembrando que o mais importante é que cada pessoa possa absorver o entendimento das questões dos padrões, percebendo sua manifestação especialmente em si próprio. Caso tenha dificuldade em aceitar a manifestação de um tipo desse em si próprio, procure definir um novo termo, tendo apenas o cuidado de procurar não "mascarar" a verdade...
- Como o nome as define, essas estruturas são defesas dentro do nosso sistema, surgindo como resultado de proteção para uma sensação "ancestral" de insegurança ou de medo. "Ancestral" por poder ser algo definido em épocas muito antigas de nossa formação enquanto ser individual; - Essas defesas estão intimamente ligadas a processos de formação de traumas, os quais podem ser tanto gerados por fatos de impacto ou ainda pela soma do mesmo padrão de fato ao longo de muito tempo da nossa história pessoal; - Agimos de acordo com esses padrões na grande maioria das vezes de forma totalmente inconsciente; - Esses padrões encontram-se em um nível tão profundo de nossa personalidade e de nosso ser integral que comandos mentais são insuficientes para alterá-los, embora seu entendimento racional já seja um bom primeiro passo para podermos nos orientar e lidar de forma cada vez mais positiva com sua manifestação; - não tome as defesas por si próprio ("eu sou um masoquista", "eu sou psicótico mesmo" etc); esses padrões e essas defesas são antes, pistas do que não somos, do que tememos ser...; - a abordagem da manifestação dessas defesas é um dos focos principais, a médio e longo prazo, a serem trabalhados/desenvolvidos por qualquer pessoa que busca cura, autoconhecimento e expansão de consciência, sendo particularmente importante para todos aqueles que lidam com atendimento direto de pessoas em suas atividades profissionais, marcadamente nas áreas ligadas à saúde; - a questão envolvida no despertar da consciência da pessoa em relação a suas próprias defesas abrangerá a sua mudança de percepção / atitude em relação a suas próprias defesas:
- quando for considerar as dicas para dissolver cada tipo de defesa, é bastante recomendado lembrar da orientação geral de começar por contextos mais simples, até nos sentirmos mais seguros com o novo padrão, aguardando o momento mais adequado de implementá-lo em situações mais profundas (veja o comentário completo sobre essa questão no texto sobre o Processo de Cura).
Aspectos Positivos de Cada Estrutura Item disponível em sua íntegra na versão completa e atualizada para impressão. É muito importante ressaltar que as defesas e os aspectos que refletem por si só não são questões intrinsecamente negativas. O que devemos trabalhar para dissolver é sua manifestação polarizada, enquanto padrões constantes que nos definem ou limitam. Para cada uma das estruturas de defesas, podemos citar aspectos que são positivos, que nos fazem evoluir enquanto seres individuais e enquanto espécie. [...]
Importância nos relacionamentos As defesas representam um papel extremamente importante em nossos relacionamentos, na nossa saúde como um todo e na manifestação de quem somos. Segue abaixo um trecho
de uma análise
sobre o filme
“The Matrix”, o primeiro dessa
série, dentro do qual podemos fazer um
paralelo entre o que nele está definido como processos
personalísticos e as
Defesas de Personalidade: Apesar do personagem de Morfeu declarar no filme, que os seres humanos não estão prontos para "acordar", isso não faz das pessoas adormecidas inimigas. Suas palavras contundentes, expõem o que é dito nos Vedas, quando os sábios afirmam que todos: pais, mães, irmãos, avôs, avós, amigos, namorados, cônjuges, etc. são "soldados ilusórios", que promovem nosso apego a Maya, pois enquanto adormecidos, os seres humanos fazem parte do "sistema ilusório", portanto possuem em sua estrutura processos personalísticos que eles mesmos desconhecem, mas que tomam conta de sua consciência em algumas ocasiões, para defender seus preconceitos e manter sua existência ilusória. Esses processos personalísticos que nos prendem a ilusão, são representados no filme pelos agentes da Matrix, programas sencientes que entram e saem em qualquer software conectado ao sistema deles. Fazendo eco as palavras dos sábios nos Vedas, Morfeu diz, que "Qualquer um ainda não libertado, é um agente em potencial da Matrix. Eles são todos e não são ninguém". Os processos personalísticos, relacionam-se aos sete pecados capitais, "... eles são os porteiros, protegem todas as portas e tem todas as chaves.". As defesas são uma das
manifestações mais fortes do nosso inconsciente,
daí sua importância em
nosso comportamento como um todo e sua íntima
relação com nossa sombra.
Nossas atitudes e manifestações inconscientes
têm uma somatória
quantitativa, e muitas vezes também qualitativa, muito maior
e mais importante
do que nossa manifestação consciente.
Daí sua importância em nossos
relacionamentos, pois estamos influenciando e sendo influenciados
constantemente
por aspectos de difícil percepção nas
relações interpessoais, o que pode
gerar não apenas simpatias/antipatias,
afinidades/divergências, mas também, e
principalmente, manutenção de padrões
negativos de ação e reação
e
crenças falsas. Para um panorama
abrangente sobre os desdobramentos dessa
manifestação das defesas nos
relacionamentos e na saúde, recomenda-se a leitura do livro
"Luz
Emergente", de Barbara Brennan, referenciado ao final e uma das fontes
deste conteúdo.
Item disponível em sua íntegra na versão completa e atualizada para impressão. Comentários sobre cada estrutura de defesa Item disponível na versão completa e atualizada para impressão, contendo para cada uma das defesas:
Dissolver a Competitividade [ITEM COMPLETO - uma das partes sobre dissolução da Defesa Controladora]![]() Antes de mais nada, é preciso deixar bem claro que o propósito deste tópico é apenas a elevação de consciência e freqüência geral na Terra, estando totalmente desvinculado de qualquer tentativa de convencimento ou disputa. Se você é competidor, gosta disto, pare por aqui mesmo e pule para o próximo tópico. Embora a idéia aqui difundida seja para a dissolução da competitividade, as fontes das quais elas emanaram aceitam a diversidade de uma forma em geral, inclusive a dos competidores, que têm o direito natural de escolherem para si essa freqüência. Este tópico é destinado apenas àqueles que estão abertos a fazerem uma reflexão sobre os aspectos competitivos e para uma tentativa de um caminho novo, sem disputas. É muito interessante como as competições são mundialmente
valorizadas na Terra. Dizer que uma pessoa é guerreira, é um elogio... Essa cultura está tão impregnada que se pergunta: “como anda
a luta?”, para saber como está o dia-a-dia da pessoa. Pense nisso sob a ótica
das crenças: tudo aquilo em que acreditamos se manifestará potencialmente como
realidade. Se você acha que a vida é uma guerra, esteja bem tranqüilo: todos os
dias, veja bem, todos os dias, quando acordar, você terá uma guerra pela
frente... Um advogado poderia, por exemplo, argumentar que a própria
natureza de sua profissão o leva diariamente à competição, pois ele está “brigando”
por interesses opostos. É uma questão de ponto de vista, carinho e boa vontade
para consigo mesmo e o mundo. O advogado poderia, por exemplo, ao invés de se
ver como um guerreiro se ver como um diplomata, um embaixador dos interesses de
seu cliente. Ele está ali para representar o interesse de seu cliente e
proceder a um acordo, o melhor acordo possível para a parte que representa, de
modo a justamente evitar a guerra e o conflito. Ele poderia se ver como um
embaixador da paz... Guerras, convencionalmente, são deflagradas apenas após os
esforços diplomáticos terem sido fracassados. Não somos ingênuos para
desconsiderar que num terreno como o da advocacia muitas coisas são forçadas e
distorcidas em decorrência de interesses econômicos, de egos e tantos outros
envolvidos, mas considere esse ponto de vista apresentado apenas como uma base
para reflexões sobre essa questão de se lançar um olhar mais amplo sobre a
competitividade e a guerra. A linha de guerreiro está tão profundamente arraigada no
Planeta Terra que é adotada mesmo dentro dos círculos espirituais e na
linguagem dos mestres, onde se fala em Guerreiro Espiritual, Guerreiro Yogue, O
Bom Combate... Essa crença da competitividade, da guerra, permeia o
inconsciente já de forma tão alicerçada que há um sentimento geral de que se a
pessoa não for guerreira, combativa, não irá conseguir nada do que quer, será
uma fracassada ou na melhor das hipóteses terá uma vida “meia boca”, sempre
abrindo mão de ideais, posições, benefícios etc. Isso é muito interessante. Justamente quando ativamos nossa
percepção mais profunda e nos propomos a deixar de direcionar esforços para
convencer os outros de nossas posições, percebemos que ganhamos um up
energético bastante grande e significativo. Quando deixamos de “descer do nosso
ônibus” para convencer aqueles que estão “na parada” de que o local para o qual
“nosso ônibus” está indo que é o legal, o justo, o bom, é que passamos a
perceber quanto tempo perdemos em vão deixando nosso próprio percurso de lado
para nos dedicarmos a convencer os outros das nossas “boas” posições. Deixar de “descer do nosso ônibus” é apenas um degrau na
escalada de consciência dos malefícios da competitividade (ressaltando que este
conteúdo não está aqui para convencer ninguém, apenas para fluir com aqueles
que já estão ressonantes com ele). Quando começamos a perceber isso, também
abrirmos portais para freqüenciar um ponto de vista, e atitude de vida, dentro
do qual entendemos que harmonia e ressonância são conceitos muito mais bem
encaixados para termos sucesso. São direcionamentos para nos manifestarmos
dentro da lei do menor esforço e da confluência com tudo o que está ao nosso
redor e não da freqüência de dissipar energia nos opondo a seja lá o que for.
Para haver disputa é necessário que haja forças que se oponham entre si... Um
repórter foi entrevistar um
senhor centenário como sendo considerado o homem mais idoso do
planeta. O
repórter perguntou: “No alto dos seus cento e tantos anos,
qual a mensagem que
o senhor tem para nos passar?”. O velho homem respondeu:
“Aprendi que nunca
devemos nos opor a nada.” “Mas isso é
impossível”, retrucou o repórter. “É.
É
impossível”. Finalizou o ancião... É certo que a competição pode levar a condições favoráveis
de auto-desenvolvimento. No Judô, antes do começo da luta, os oponentes se
cumprimentam com uma saudação que significa “obrigado por me emprestar o seu
corpo para o meu desenvolvimento”. Entretanto, nos esportes competitivos de uma
forma em geral o caráter de auto-desenvolvimento fica pálido e sufocado ante a
grande massa de forma-pensamento no mundo em torno do ganhar a qualquer custo. Os atletas são tidos como exemplos de saúde. Todavia, são as
pessoas que apresentam o maior índice de lesões de todas as ordens. Numa visão
ampla, já sabemos que atraímos tudo o que acontece em nossas vidas, inclusive
as lesões e os acidentes. Os esportes são excelentes ferramentas para modelagem da
personalidade, inclusive com poderosas possibilidades de dissolução de mazelas
e desequilíbrios diversos. Sabemos que é muito melhor uma pessoa descarregar e
alinhar suas emoções nos esportes do que colocar questões não equilibradas para
fora de si de forma mais desordenada, nas situações cotidianas, descarregando
suas questões internamente não resolvidas sobre as outras pessoas. Esportes de
luta, por exemplo, são especialmente eficientes em apaziguar pessoas com força
agressiva descontrolada, mesmo todos nós sabendo que há alguns casos onde mesmo
esses esportes não fazem isso com eficiência, inclusive munindo melhor ainda
alguns indivíduos desequilibrados com mais poderes ainda para destruição
social, mas esses são casos de exceção, pois a maioria dos atletas de lutas são
pessoas com alto nível de equilíbrio e controle emocional, justamente por
conhecerem potenciais de destruição incríveis, além de terem a oportunidade de
em seus treinamentos darem correta vazão a agressividade e raiva vivenciada no
dia-a-dia. Todavia, numa competição sempre há perdedores, aliás, a
maioria dos competidores perdem. Algo que não é bom para todos está em
desacordo com as leis universais mais elevadas... Claro que para quem está em
níveis elevados de mestria dentro de uma prática qualquer, bons oponentes
estimulam o desenvolvimento, mas isso poderia muito bem ser feito em forma de
torneios, onde não há premiações e nem disputas em cima de critérios rígidos de
pontos, detalhismos de regras e contagem de tempo mecânico. Torneios também que
não interessem ao foco de grandes torcidas, mas tão somente àqueles que estão
ali, se desenvolvendo. Todos já vivemos, ou no mínimo entendemos, o porque das
pessoas gostarem de assistir as competições. Fica claro o quanto de emoções
conseguimos canalizar quando estamos numa torcida, o quanto estávamos
precisando acessar aqueles estímulos emocionais poderosos. Um exemplo típico
são as torcidas de futebol: o cidadão vai lá, com aquela massa gigante de
pessoas, grita, xinga o juiz (uma vez que durante a semana não pode xingar o
chefe...), passa por alegrias e tristezas profundas, tudo estimulado pela ação
alheia, e não por sua própria. Podemos fazer uma analogia com as novelas, onde
os telespectadores acessam suas próprias emoções por estímulo das emoções
vividas pelas personagens da trama. Tudo isso é muito bom, funciona como válvula de escape e
elemento de equilíbrio social, bem como, em menor escala, como possibilidade de
aprendizado com a estória e o drama do outro. Entretanto, as pessoas se entregam a viver a transferência
emocional (vamos denominar assim esse efeito de se estimular pela vida, estória
e emoções do outro) em decorrência de não conhecerem possibilidades e
alternativas melhores para viverem suas próprias emoções. Uma pessoa que conheça, por exemplo, processos terapêuticos
de manifestação catártica induzida de suas próprias emoções, dificilmente se
proporá a ir a um estádio de futebol para se estimular com a emoção alheia. Ela
já passou a ter contato com sua própria emoção, seus bloqueios e os processos
que levaram a esses bloqueios. Ela não quer mais nada do outro. Ela tem seu
próprio universo para desvendar e viver... O ser humano chegou a um ponto tão maluco de sua psique
competitiva que conseguiu criar campeonatos, por exemplo, de surf, algo que
deveria ser apenas para o prazer, desligado dos malefícios da competitividade.
O Guiness Book está repleto de descabimentos de coisas nas quais as pessoas
querem ter a sensação de serem a melhor do mundo de alguma forma. Cada um de
nós já é o melhor do mundo em alguma coisa: em ser o que se é, em viver seu
próprio dharma e manifestar um aspecto único de Deus que pode ser realizado
apenas por cada um de nós em específico. Mas não achamos essa conexão dentro de
nós próprios, então sentimos a necessidade de sermos externamente o melhor do
mundo em alguma coisa, para preencher um vazio interno que não se consegue
suprir por si mesmo. A estória competitiva mostra claramente que os atletas não
se saciam com uma grande vitória, preenchem-se dela por um período de tempo
muito curto, já em seguida começando seus preparativos para uma nova conquista. Também existe uma crença de que o atleta competitivo aprende
muito vencendo seus próprios desafios, tornando-se uma pessoa altamente capaz
em outras áreas da atividade humana. O arquétipo do atleta vencedor também é
utilizado como exemplo daquele que muitas vezes “venceu” condições adversas e
de exposição à marginalidade se orientando pela vida esportiva, servindo como
exemplo de modelo social, especialmente para as crianças. Uma parte disso é bem
verdadeira. Mas há algo que também deve ser considerado quando se trata de uma
profundidade de percepção mais elevada como a que se está evocando aqui: o
custo X benefício e o contexto desse quadro. Pense na seguinte analogia: uma pessoa que se interessa pela
música e começa a tocar um instrumento de percussão, pode logo se juntar a
outros amigos e formar uma pequena banda ou grupo. Digamos que um deles já tem
alguma habilidade com um instrumento de cordas e eles começam a ensaiar sambas
e pagodes. No começo, eles tocam em várias situações diferentes, para diversos
públicos, em diversos contextos. À medida em que vão melhorando, não querem
mais tocar de qualquer jeito. Não se trata de ficarem “metidos”, mas sim do desenvolvimento
da habilidade e exigência musical como um todo. Já não dá mais para tocar com
instrumentos desafinados, equipamentos ruins e por aí vai. A percepção já está
suficientemente desenvolvida para distinguir entre música e “zoada”. Eles agora
querem ser músicos... Quando o ser humano começa a trocar a guerra campal pela
competição esportiva, há um grande avanço. Quando um indivíduo potencialmente
perigoso e desequilibrado deixa de bater nos outros na rua e começa a canalizar
sua agressividade para a luta competitiva, há um grande avanço. Entretanto, quando estamos numa situação de rota de colisão no Planeta e o futuro da
humanidade e da própria vida de uma forma em geral está dependendo do que todos
nós estaremos fazendo, cabe dar o salto, entrar numa oitava de consciência mais
profunda e dissolver os efeitos totais da cultura da competitividade. É muito claro como as Olimpíadas são usadas para exposição
pública mundial da diferença entre os países, onde os mais ricos e que investem
mais em sobrepor sua hegemonia às dos demais conseguem melhores resultados
estatísticos, mais medalhas. Durante a guerra fria ficou evidente como as
Olimpíadas foram usadas para isso, inclusive com os boicotes dos países aos
Jogos realizados dentro dos estados pertencentes aos blocos econômicos
distintos entre si. O maior exemplo que temos para nossas crianças é a não
competitividade, a dissolução dos estados nacionais, a vivência da harmonia e
aceitação entre os povos, acolhendo a diversidade cultural, racial, religiosa e
todas as demais. O exemplo do serviço voluntário é mais forte e profundo do
que o da competitividade, ainda tendo o mérito de não contar com efeitos
colaterais. Os efeitos colaterais da competitividade são a crença na guerra e
na oposição e conseqüentemente a disseminação e proliferação dessas
manifestações, desde disputas mentais e de posições a brigas efetivas, desde os
níveis mais sutis, nos conflitos internos e entre as pessoas até os conflitos
armados entre os povos e nações; o entendimento de que os bons sobrevivem e os
maus sucumbem e de que tudo o que se consegue na vida é com esforço (e não com
harmonia...); e a difusão de algo muito destruidor: o sentimento de que só tem
valor aquele que é vencedor... Patrocinar os esportes, tanto em esferas particulares quanto
estatais, é algo que tem tido todo um valor benéfico associado. Mas é algo que
não faz sentido para a espécie humana como um todo. Para que serve financiar
uma pessoa para ser alguns milésimos de segundo mais rápida do que outras?
Milimetricamente mais forte ou mais sagaz? Faça um comparativo entre o patrocínio artístico e o
competitivo: o que define a arte? Muitas coisas. Dentre elas, o fato de a
pessoa que observa o produto da arte entrar em contato com o estado em que o
artista estava envolvido quando produziu o objeto artístico ou o momento da
arte em si (como na dança). Nesse contato, fica claro que o artista estava num
estado de elevação e harmonia com todo o restante do universo quando envolvido
com sua produção artística. Esse é um dos fatores de a arte ser tocante. Para a
espécie humana, faz sentido patrocinar as pessoas para que elas entrem em
harmonia com consigo mesmas, com seu próximo, com a sociedade, com a natureza, com
o Planeta, com todas as coisas. E ainda mais: faz muito sentido que o resultado
dessa conexão ressonante seja multiplicado para outras pessoas que entrem em
contato com essa arte produzida. Pense nisso durante alguns dias e observe. Não
é necessário que chegue a aceitação, rejeição ou conclusão a esse respeito
agora. Deixe passar algum tempo observando isso. Alguns meses, ou até mesmo
alguns anos se necessário for. Depois tire suas próprias conclusões... Há outra coisa muito interessante sobre a qual se deve fazer
uma reflexão profunda: embora num primeiro momento possa parecer que a
competitividade e os bilhões de dólares anualmente gastos mundialmente com as
competições possam estar incentivando as pessoas à atividade física, o que
ocorre é justamente o processo oposto: mesmo que alguns milhões de pessoas
sejam atraídas para o esporte em decorrência dos holofotes ali encontrados, ou
quaisquer outros estímulos, bilhões de seres humanos são afastados dele, o
esporte, e não apenas isso, mas das atividades físicas saudáveis de uma forma em
geral, em decorrência da carga competitiva e de exclusão de uma forma impressa
nada sutil. É muito constrangedor “não se estar à altura” dos demais
naquela prática em que a pessoa se colocou como experimentador. Considere que o
contato inicial com os esportes ocorre quando estamos numa fase de formação de
nossas personalidades e as chacotas dos colegas de colégio e de turma são
vorazes... O clima de carícias frias do ambiente competitivo é flagrante em
muitos e muitos casos, provavelmente na maioria deles. A atividade física é mais importante do que o esporte. O
esporte é mais importante do que a competitividade. Olha só: no Brasil, há um
Ministério do Esporte (que desde 1937 tem um histórico mais ligado a
secretarias e departamentos dentro do Ministério da Educação, na tônica de
ensino de esportes, Educação Física, no sistema educacional). Que tal se, ao
invés disso, tivéssemos uma secretaria de atividade física dentro do Ministério
da Saúde? Estranho isso? Estaríamos diminuindo o número de praticantes de
atividade física e de esporte por estarmos “diminuindo” o esporte de ministério
para secretaria? Qual as implicações de as diretrizes migrarem (como mais
anteriormente) da esfera da educação física e (mais atualmente) do
direcionamento para competitividade para o campo do entendimento da atividade
física como sendo uma das bases da saúde?... Considere uma partida onde não aja tanta competitividade,
mas apenas pessoas se colocando mutuamente à disposição para
auto-desenvolvimento. O ping-pong, por exemplo, é um ótimo exercício. É algo em
que duas pessoas podem se divertir a valer durante uma ou duas horas seguidas
sem ficar contando pontos, pois a contagem pode ser facilmente perdida se não
se ficar psicótico com ela, é tudo muito rápido. Ao final de um tempo qualquer,
o que aconteceu foi que você “deu algumas boas raquetadas”, mas também tomou
umas cortadas desconcertantes. Tanto faz se foi 129 X 128, 230 X 179, 60 X 90.
Em alguns momentos você esteve melhor, em outros não. O mais importante ficou:
você se exercitou, desenvolveu suas habilidades, percebeu seus limites, se
divertiu, riu com seu companheiro(a). Corridas de longa distância com milhares de pessoas ao mesmo
tempo transpondo percursos em conjunto são lindas. Uma grande manifestação
humana na Terra. Fortalecem os espíritos individuais, favorecem o estímulo do
grupo para as personalidades e enobrecem a espécie humana como um todo. Basta
isso. O fato de ter uma largada num horário milimetricamente determinado,
marcado por um tiro, onde os mais competitivos e preparados no momento estão
estrategicamente posicionados para largarem a toda velocidade desde o começo e
cronometrando suas performances com o tempo mecânico apenas empobrece toda a
riqueza do que se tem nessa estória toda. Um evento tipo maratona poderia
começar mais tranqüilamente, numa linda manhã de sol, com apoio do poder do
estado fechando o trânsito e dando proteção e apoio para as pessoas. Quando
tudo estivesse pronto, as pessoas poderiam começar suas corridas, sem a
paranóia de saber quem foi o mais rápido, o mais forte, o mais sagaz, o mais
perfeito dentro das regras específicas previamente estabelecidas. Regras essas
que inclusive mudam de tempos em tempos, mudando tudo... É evidente que sem competitividade muito mais pessoas
poderiam estar integradas aos esportes e às atividades físicas de uma forma em
geral. Mesmo os atletas mais sagazes e vorazes também seriam beneficiados, não
precisando de se exporem tanto a lesões e processos de mortificação, aspecto
intimamente ligado às duras rotinas de preparação. Bem, este raciocínio é uma
semente para o futuro. Atualmente ao serem expostas a uma idéia dessa natureza,
a maioria das pessoas se sentirá “desafiada” (fazendo um trocadilho proposital
com o termo) em suas crenças mais profundas de que competir é algo bom,
natural, saudável... Reforçando o que já foi dito: se não concorda com nada
disso, tudo bem: seu ponto de vista e de manifestação é aceito e bem vindo.
Nenhuma disputa.
Agora,
se você sente ressonância com estas idéias, comece a dissolver a disputa a
partir de si mesmo, lenta e progressivamente, deixando as atitudes e
comportamentos de oposição aos poucos, se acostumando com isso. Trocando
grandes competições por outras menos intensas. Deixando de dar audiência aos
competidores, ao que acontece com eles, afinal, aquele é o drama pessoal deles,
e não o seu (embora sejamos todos um...). E, principalmente, não torne este
novo direcionamento numa nova guerra: não há necessidade de convencer ninguém
de que a não disputa e a não competitividade é que estão certas, por si só esta
atitude já é uma forma de disputa. Basta divulgar esta nova freqüência, plantar
suas sementes, ser um exemplo vivo em seu próprio comportamento pacífico e
receptivo, inclusive aceitando o direito daqueles que querem continuar
competindo. Praticar a não-reatividade, ser o amor no mundo.
O ego e as estruturas de caráter: Item disponível na versão completa e atualizada para impressão.
* quadro extraído de Luz Emergente - Barbara Brennan - p. 346
Arquivo atualizado
em 04/10/2011
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